Em 2006, Mathew Crawford, um americano com pós-doutorado, publicou artigo no qual defendia a importância do trabalho manual para a satisfação pessoal. Baseava-se na própria experiência: havia largado o emprego numa grande empresa na capital dos EUA para abrir uma oficina de motocicletas antigas. Descobriu, com a nova atividade, um contentamento que jamais havia experimentado quando dedicado exclusivamente às atividades intelectuais. Escreveu ele:
“A satisfação de manifestar-se de maneira concreta através das habilidades manuais tornam o homem sossegado e tranquilo. Ela parece aliviá-lo da necessidade de oferecer interpretações sobre si mesmo a fim de reivindicar o próprio valor. Ele pode simplesmente apontar: o prédio está de pé, o carro funciona, as luzes estão ligadas. A perícia profissional tem de contar com o infalível julgamento da realidade.”
De fato, fala-se muito em “sociedade do conhecimento” e em “capital intelectual”, mas em nenhum momento se considera que isso tenha a ver com atividades eminentemente práticas. Pensa-se sempre em ideias, pesquisas, insights...Porém, a separação entre trabalho intelectual e manual talvez nem exista, não ao menos da forma como a concebemos.
Trabalhos manuais seriam atividades secundárias, menos importantes? Nem tanto. Para uns, funciona como terapia; para outros, como a verdadeira fonte de significado no trabalho, aquela que a atividade principal, exclusivamente “cerebrina”, não conseguiu oferecer.
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